Vário do Andaraí

Aduz à brinca, 055, afrontando – o caos, o bruto, a trinca, o deletério, que o piche é quente, veemente, e tu, tu somente, teu solitário império, és quem te leva – a sério.
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ENDEREÇO CERTO

Tarifado por Vario em 01 fevereiro, 2010

055 em qap e pronto pra cópia

- Em Botafogo, cê pega a São Clemente, quebra à esquerda na Real Grandeza, e, lá no fim, no fim da Real Grandeza, à esquerda, é o cemitério, o São João Batista.

O fato de no fim da Real Grandeza estar a morte, a cidade dos mortos, cujo nome é o de um santo batista, e tudo isso dentro de um bairro cujo nome é um imperativo ao fogo, pode ser uma ironia, uma simbologia ou uma instância ou circunstância a um mistifório de filosofias – o cinismo, o hedonismo, o estoicismo.

E a cidade, estendida e lânguida, em seu triclínio greco-romano, distrai-se do calor inclemente chupando uvas e cochilando à brisa do abanador feito com penas de cauda de pavão que seus cativos adejam.

Categoria: Catarse, Parábola
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DIÁSPORA

Tarifado por Vario em 24 janeiro, 2010

055 em qap e pronto pra cópia

Pela matéria do Mauro Ventura que saiu na revista de O Globo no domingo último ( 17/01/10 ), um monte de amigos que estavam dentro do buraco negro da diáspora dos dias corridos deste mundo imenso dentro desta cidade maior que este mundo imenso  escapou do repuxo cósmico, entrou em contato, mandou email e telefone.

Rapaziada, que bom sabê-los vivos e com saúde. Uma coisa esquisita parafusa no sentimento da gente, e só um poeta, desses que andam fazendo falta, poderia achar a palavra certa, o gesto exato. Apesar de estar longe de ser um poeta, sobretudo desses que andam fazendo falta, modestamente vário, brindo a isto, soergo meu copo imaginário : à nossa, Tigrada !

Liguei pro L. , neto de uma grande poeta, dessas que andam fazendo falta, e filho de uma grande atriz. Modesto, ele me diz que anda estudando física – a quântica, a mecânica, a atômica, a subparticular – como amador, me diz coisas interessantíssimas sobre a instabilidade do ser – um dilema insolúvel e pré-socrático da filosofia, e por agora ( nas incertezas do agora científico ) meio que confirmado pelas exatas :

- “é…quer dizer…parece que sim…tudo indica…mas, vai saber…”, diz a ciência, ” talvez um dia, quem sabe…”

E o L. completa dizendo que W Shakespeare foi quase exato em Hamlet, cometeu só um errinho no uso da conjunção, “…Não é ´ser OU não ser, eis a questão´, é ser E não ser, eis a questão”.

Disse-me outras coisas de ordem existencial, mas pessoais, e não vou publicar aqui,  que tornaram a conversa um ótimo reencontro – de vozes.

Valeu, L., pelos bons minutos – e/ou anos – de conversa.

Ouçamos um pouco de música, sem dúvida, a maior das artes, que diz tudo sem dizer :

T. Jobim & V Moraes – Gal Costa

O que a obra-prima do T Jobim e V de Moraes tem a ver com física quântica, com poetas desses que andam fazendo falta, com o tempo e sua força dispersiva ?


O acorde impressionista e suspensivo sobre a palavra “dor” da canção e a última frase melódica “nesta derradeira primavera”  explicam tudo – ou absolutamente tudo.

Categoria: Crônica
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SÃO SEBASTIÃO

Tarifado por Vario em 20 janeiro, 2010

055 em qap e pronto pra cópia

Freguesia,

O certo é certo. O errado, érrado. Certo ? Errado mas certo, tigrada, porque, proparoxítono, exoro : liberdade poética, minha São Sebastião, sobretudo no Andaraí, inda mais em Cascadura.

Já não há mais inocentes no Leblon. Lamento, Senhor Carlos.

( O dia passou voado em há fazeres e afazeres. Depois cochilei, mas acordei a tempo, peguei a cantareira no pulo, do píer pra bordo, quando ela partia pra Paquetá.

Republico aqui um texto sobre a cidade, de dentro da barca, passando ao largo do piscinão de Ramos )

Valeu !!!!!!

Categoria: Trânsito
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DESCULPE A NOSSA FALHA

Tarifado por Vario em 19 janeiro, 2010

055 em qap e pronto pra cópia

Freguesia,

Devido a um problema na antena de recepção da 055,  algumas chamadas chegaram com muito qrm ( ruído de fundo ) e os emailes dos remetentes não chegaram à viatura.

Peço portanto àqueles que preencheram o campo “email” do formulário “entre em contato” que esperem até eu resolver esta pequena ingresia ( ou “inglesia”, como prefere um antigo conhecido meu ) e entrem em contato novamente colocando o email no corpo da mensagem, ou façam um comentário qualquer em qualquer um dos textos, porque a parte de comentários da viatura tá funcionando que é uma beleza, e o email do remetente não é publicado.

Ângela ( que citou Manoel de Barros ), Eduardo ( do Grajaú ), Seré ( Ou Baiano ), Leitora anônima do interior, Lopes ( fala, meu camarada ! Beleza ? Há quanto tempo ! Mas não faz 30 anos que não nos falamos, não…O tempo tá bagunçando essa inteligência brilhante aí ? ), FishFace ( fala, meu ala esquerdo, tempaço ! Não sou mais Cornface.  Hoje tô mais pra BroaFace ou AngumoleFace ), Vítor  ( de Realengo) e demais amabilíssimos ps´s ( passageiros ), reitero o parágrafo anterior e peço mil desculpas.

Vário do Andaraí
( hoje, um Mytho; amanhã, uma Phraude )

Categoria: Nas internas
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CARTA ABERTA II

Tarifado por Vario em 16 janeiro, 2010

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Alô, Mauro !

Obrigado pela generosidade e gentileza.

Esta madrugada, por volta das 3:30, as tracejantes, na altura de Manguinhos, na Brasil, passavam trincadaças como mutações genéticas, cruzamento de berne com vaga-lume aceso de vermelho, riscando a noite, procurando carne que cavucar e depositar sua larva de morte. Me deu um esconjuro no corpo, aquele a-morte-passou-por-perto, e eu, que estava sozinho na viatura, não tinha ninguém em quem tocar e dizer “sai morte, que eu tô bem forte…”, matutei, “Será que eu não chego ao domingo, maluco ?”

Cheguei sobrevívido.

Bom, você me pediu que eu recebesse bem na 55 seus leitores com dois textos caprichados. Lavei o carro, poli, aspirei, borrifei capim-cidreira no salão e… mamona nos pneus : postei UM TRIBUTO e esta cartinha aberta aqui em que relaciono abaixo alguns textos passados que servem de abridores de portas da viatura a dizer “Bom dia, Freguesia, eis meu desvelos, meu caprichos, que talvez não passem de um café ralo com que se recebe em casa humilde, mas coados no meu melhor de mim”

Um abço,
055.

ps1. Assim que o tempo der uma refrescada, quem sabe abril, vou te ligar pra gente fazer um sparringuizinho lá na Santa Rosa. O Léo Cunha disse que também vai.

ps2. Valeu, Léo !


NOS CANOS

SOBRE AS PONTES

BÍBLICAS II

BETSABÉ

FELIZ DA VIDA

OUTRO VAPOR BARATO

ESTRANHOS NA NOITE

Categoria: Crônica, Pavimentação, Trânsito
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UM TRIBUTO

Tarifado por Vario em 16 janeiro, 2010

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( DO LIVRO A MÁQUINA DE REVELAR DESTINOS NÃO CUMPRIDOS )

Peguei, pela cooperativa, uma passageira na travessa Soledadade.

( Travessa Soledade é um logradouro, mas “Travessa Soledade é um logradouro” é poesia )

Era o início de uma tarde de fins de agosto, se não me falha a memória. Uma frente fria havia acabado deixar a cidade depois de três dias de faxina. Ainda não era primavera, mas era. Tinha que ser. Tem que ser.

Ela ia pro forte do Leme. Duas vezes por semana ela faz esta corrida. Sei disto porque sempre ouço a solicitação pelo rádio da cooperativa, mas nunca fizera esta corrida com ela. Tomei o itinerário pedido, de pegar Botafogo, e, depois, pelo Túnel Velho, desembocar no Leme, direto, sem beirar a praia de Copacabana.

Eu tinha acabado de montar um cd do Tom Jobim dos seus clássicos e obras-primas a partir de vários originais que tenho em casa (como se fosse possível fazer uma seleção de clássicos e obras-primas deste Brasileiro que tanto bem faz e fez à gente…).

Silentes e reverentes, ela não deu um pio, e eu também não.

Quando saímos do túnel Rebouças, a lagoa Rodrigo de Freitas embrulhou tudo : a paisagem e a música se jogaram sobre os sentidos : o espelho das águas remexido pelo vento, as montanhas verdes, o dia claro, o céu limpinho de azul, matizado de todos os azuis que há – e dos que não há, e as nuvens, esparsas e ralas, transmudando-se, tocadas pela brisa fresca, em sabiá, em roseira, em macuco, em borzeguim, em claves de sol, em acordes de luz. E gente feliz caminhando, feliz correndo, bicicletas ziguezagueando contentamento, casais felizes, crianças em pleonasmos de felicidade e o morro Dois Irmãos lá ao fundo doendo feliz dentro da gente – da gente que nem merece tanto bem assim.

A cidade estava feliz : “minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro”

A moça então pediu que eu tomasse outro caminho, um mais longo, que chegasse ao Leme margeando toda praia de Copacabana. Normalmente eu estranharia, mas entendi tudo na hora, porque o que ela queria era exatamente o que eu também queria : passear – passear mais um pouquinho dentro do sonho antes do compromisso com a vida real.

Silentes e reverentes, à orla de Copa, toda exalação mágica se repetiu : “Rio, teu mar, praias sem fim”

Ao chegarmos, ela deu um suspiro, de desafogo – um suspiro de como quem admitisse ao final do suspirar, “amo” :

- Que corrida maravilhosa o senhor me deu…
- Eu não, ele.

Ah, Poeta, não falo pelos outros, porque dos outros não sei, falo por mim, por minzinho : que dívida de gratidão tenho impagável por tanta coisa bonita que musicou tantas horas da minha vida – as de amor, as que pareciam de amor, as de desamor e as de tantas outras coisas tantas.

Obrigado.

Categoria: Crônica
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ALEGRIA E MELANCOLIA – LEGENDAS INÚTEIS

Tarifado por Vario em 09 janeiro, 2010

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A Alegria é boa companhia. Mas gosto dela como amiga apenas. Estaciono a viatura, entramos num pé-sujo, eu e ela, e tomamos umas, petiscando distraidamente semicolcheias, falando mal  sem venenos  da vida alheia, e se passar um cordão ou um bloco, a gente adere, bem atrás da charanga.

Frevo – T Jobim & V Moraes – Gal Costa

Depois é cada um por si só.

Já a amante, ah…Febril Melancolia ! Quando ela chega, aquela coisa agridoce no paladar da noite, eu não faço despisto, não visto a alma de arlequim ou clown e saio por aí aos saltos, batendo calcanhares no ar. Não. Se ela vem, é porque quer carinho, se quer atenção, se quer fazer ouvir, se quer ser amada – em paz.

Então o que faço eu ? Dou-lhe o que ela se pede : carinho, atenção, ouvido e amor.

Janelas Abertas – T Jobim & V Moraes – Gal Costa

Escancaro as janelas da 55, e vamos, eu e ela, copulando devagarinho à beira-mar, na Sernambetiba, trocando hálitos, 4 da matina, um pouquinho antes de o sol, como um orgasmo, aurorar.

Categoria: Crônica, Nas internas, Parábola
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POLITICAMENTE RETICENTE

Tarifado por Vario em 03 janeiro, 2010

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Semana passada choveu muito aqui no Rio. Sabe-se lá de onde vem tanta água, vaporada em mares suspensos…

Acho que foi 2a feira, peguei uma passageira bonitinha, e  tentei fazer uma graça aguada :

- “Mas essa lua, mas esse conhaque, botam a gente comovido como o diabo”
- Moço, o senhor bebeu ???
- Não…isso é um ver…
- Moço, o senhor bebeu. Bebeu.
- Nããããooooo…isso é de um poe…
- Moço, para. Vou descer. Quanto deu ?
- Não…Quéisso…Nessa chuva ? eu não…
- Aqui tá bom. Toma. Boa noite.
-…

Já não se fazem mais luas como antigamente, ainda que por cima dos temporais. Já não se fazem mais moças bonitinhas como antigamente, ainda que por baixo dos temporais. Já não se fazem mais Carlos como antigamente, posto que único, atemporais.

Às vezes cansa pelejar, e as reticências são o meu melhor argumento, o meu melhor silêncio, o meu melhor de mim.


Fala, Antonio…

Chovendo na Roseira – Tom Jobim e Elis Regina

Categoria: Diário de Bordo, Parábola
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PEDACINHO DO CÉU

Tarifado por Vario em 01 janeiro, 2010

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Apesar de a liberdade ser subjetiva e ilusória, vou exercê-la! Deixo que o caboclo versejador se apodere dos teclados e quebro o parágrafo inicial no verso e na força bruta :

Corrida boa é viagem – intermunicipal
ou de largo e grande esticado. Tem menos sinal,
pouco guarda municipal e pouco esburacado.
E eis assim o arrazoado de tão largo vau:
Se o passageiro é boa companhia, é aliado;
se de bom falado e também bom calado, é filé.
A corrida por valor fechado é uma ambrosia;
sendo no taxímetro a quantia, vou de ré.

Tenho alguns fregueses deste tipo de corrida: uns que fazem sempre o mesmo entre-cidades; outros, tiradas variadas. O interessante é que, com as repetições do serviço, vai-se formando um laço de amizade e de confiança, podendo mesmo surgir o fenômeno do divã-móvel-mútuo: chofer e passageiro tornam-se analista e analisando a uma. Ou seja, eu ganho pela corrida e faço psicanálise de graça, e o passageiro faz a corrida pela qual iria ter que pagar de qualquer forma e tem terapia também a custo zero.

(Então, atenção, esquizóides, psicóticos, monomaníacos, parafrênicos, senhoras e senhoritas em fase de caos hormonal, vão de táxi! De preferência no meu, sobretudo as senhoritas…).

Jogo uma pelada aos sábados. De de lá fisguei alguns fregueses pra este tipo de corrida e fui colocando na fieira das amizades surgentes. Um é o Major Pereira, sujeito de boa patente, que não é major nada, mas que tem posto de mando na cordialidade, na simpatia e na conversa bem conversada; outro é o Max Turco, urso somítico e sujeito não menos patente nos mesmos mandos da cordura e da bonomia; e ainda tem mais três, um triunvirato, Fabricius, Baianum e Gustavus, membros do judiciário, mas gentes finas, corretas, íntegras ao fino entre os finórios…(Brincadeira, é claro…Eu não iria, pobre “chauffeur” que sou, fazer chalaça do nosso augusto terceiro poder da república e de seus membros – caras que dominam a cabala das leis e seu latim manhoso…Afinal, liberdade é um conceito precário e esquivo).

E foi numa viagem de longo curso destas pra um vilarejo perto de Parati que, por uma dialética lúdica, entendi os conceitos antagônicos de liberdade e necessidade que um amigo meu gastara um bom tempo tentando me explicar num boteco vil do Engenho Novo, e que eu só compreendi de fato quando ele largou um de seus categóricos dísticos:

“Liberdade é quando a gente  pensa que é a gente que se locomove
Necessidade é quando a gente sente que é um outro que nos remove”

Depois de deixar o passageiro no lugar desejado, estacionei o carro e fui tomar um café. A padaria dava de frente pro mar. O dia surdia bonito na brisa, no céu, nalguns barquinhos ancorados jogando nas ondas, na maresia aflada do mergulho vertical das gaivotas berrando a manhã, que crescia,  não obstante infinita.

Acabado o café, caminhei pra dentro da paisagem, deformando-a. Nisto, mais á frente de uma molecada simpática e descalça que me cercou querendo trocados, estava um de uns oito anos chupando um picolé azul, azul quase turquesa. Eu estranhei:

- De que sabor é esse picolé ?
- Pedacinho do céu (certamente é o nome que a sorveteria popular do lugarejo dá àquela mistura de açúcar e corante).

Mas eu insisti, porque os adultos são assim – necessários e chatos:

- Mas tem gosto de quê?

Ele me olhou uns dois segundos interrogativo, certamente não entendendo a minha teima sem sentido, e me respondeu com o óbvio sem fim:

- Ué? De pedacinho do céu

Tem um filme chamado “A Liberdade é Azul”. Vi e não gostei muito. Gostei mais do do menino.

Categoria: Crônica, Diário de Bordo
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É NATAL

Tarifado por Vario em 24 dezembro, 2009

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Então é natal…

Diana Krall – Jingle Bells

Desde o primeiro, em que me dei conta de ser gente com uma espingarda de espoleta a tiracolo, dando uns pipocos em inimigos ( o tio Tono, o Bel, meu avô parnasiano, a vovó e a Zeza )  que  eu amava com um coração de criança que desaprendeu simplesmente de como conservar aquele coração – sem manchas e corrugados , até este, em que recebo de presente esta saúde ainda forte pra jogar minhas peladas e pra dar e levar umas porradas lá na Santa Rosa Boxing Clube e rodar no amarelão em crônicas madrugadas, foi tudo água corrida, bem corrida – banho bom neste ribeirão de margens  grãs,  de curso pra uns pequeno e longo demais pra outros…

…Tomo fôlego de funduras e vou buscar lá no chão do leito uma pepita de ouro-dos-tolos :

Ontem peguei um Papai Noel gordalhufo de almofadas, com um saco cheio de palavrões e embrulhos de mentira, cachaça e cigarro nos bafos, saindo batido de um Shopping, pra cobrir a falta de um parceiro seu que não dera as barbas no serviço no outro Shopping para o qual íamos :

- Aí, Noel, eu não deixava meu sobrinho sentar no seu colo pra tirar foto nem por um parálio…
- Deixa de marola, piloto ! Toca essa porra…e faz de conta que eu tô na Lapônia…

Dá pra reclamar ? Não dá, né, Freguesia !?

Categoria: Crônica, Diário de Bordo, Farsa
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CARTA ABERTA

Tarifado por Vario em 24 dezembro, 2009

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A., S., G. e geral por aí,

Desejo a vocês Feliz Natal e Próspero Ano Novo, como é de praxe e como manda o manual da boa etiqueta. Mas como eu sou um desetiquetado, quero muito que lhes caia na mão neste fim de ano uma crônica do R Braga inédita mas com aquela clássica e indefectível elegância, que as rabanadas este ano estejam como nunca foram, apesar de sempre terem sido, que a Sofia faça uma levadeza bem sabida ( não é de se esperar menos com um nome desses ) e coloque a casa em felicíssima anarquia, que o marido ou namorado ou noivo ou amigo da S. lhe faça uma declaração de amor com o cenário que vi ontem aqui no Rio numa corrida que fiz pra dentro do Forte da Urca ( e os olhos da 55 não me deixam mentir  : uma minguante ao lado do Cristo jamais vistos desde Estácio de Sá :  a montanha do corcovado não se moveu, minha fé não move montanhas, mas como mexeu coisa dentro de mim ), e que uma pessoa querida do G. ligue depois de muito tempo de sumiço, e eles tomem uma pinga de algum alambique que há muito se extinguiu por fazer cachaças boas demais, ou, caso não bebam, que beberiquem, à Miguilim, um Mineirim bem geladim.

Boas coisas procês, mineirada desse outro país que ainda há – não posso descrer disso.

Categoria: Crônica
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VENDE-SE VIATURA DE PAPEL E DESVARIO

Tarifado por Vario em 22 dezembro, 2009

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A Máquina de Revelar Destinos Não Cumpridos está à venda no site da editora Dimensão (www.editoradimensao.com.br) e na livraria Blooks ( Praia de Botafogo 316, Artplex Unibanco de Cinema, telefone [21] 2559-8776 ).

No site da editora tem um carrinho de compra ( “Como Comprar”) que encaminha para uma página em que consta o telefone de contato da editora e um formulário para preenchimento.

Em breve vai estar em outras livrarias físicas e virtuais. Mas não espere, Panca, tá pancadão ou pancadona ? Corra logo e compre o seu antes que acabe. Daqui a 50 anos um exemplar da 1a edição vai -lhe custar os euros da cara em leilões da Sotheby´s.

Daqui a cinquentinha, eu vou estar mortinho do Andaraí e você vai estar que é pelanca pura. Mas isso importa ? “Somos feitos da matéria dos sonhos” mesmo…

Me dá uma força e compra, Tigrada, que dou desconto nas corridas longas !!!

Valeu !!!!

Pecado Capital ( Paulinho da Viola )
Zé da Velha e Silvério Pontes


Categoria: Pavimentação, Trânsito
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QUEM BRINCA COM FOGO FAZ XIXI NA CAMA

Tarifado por Vario em 19 dezembro, 2009

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Muita gente me perguntando como foi o lançamento do livro, 2a feira última.  Fiz esta  croniqueta abaixo em que debuxo o zeitgeist da noite :

Às 19h marcada, comeu a porrada. A tropa de choque foi chamada. Hordas a uivar, gentes incontroladas, querendo um exemplar. A reportagem televisada deu bobeira na parada, no bololô,  foi depenada, mas gravou…

…De repente – sente ? – do nada, me salta, prateada, de um Audi, Helena, a Helena que rima, a menina, a morena, quarentona, quarentena-me,  e vem.

A turbamulta ( não me fale em multa nesta história…era dia de glória ) estatua-se e se silencia na pancadaria : uma garrafada paralisada, uma dentada armada,  uma pernada estagnada…e a Helena, à helênica, andando em minha direção, incólume à confusão, a dois centímetros do chão, olhando pra mim, de si para o “sim”, na insonora ária,  imobiliária, multitudinária… E meus olhos, astigmatizados, rachados, aguados, coração aos pulos, a alma trepidando, e ela avançando, de Tróia, da novela das 8,  da minha infância ( ela e a “tia” Sônia do primário são a mesma pessoa ), e o coração, então, já no pomo-de-adão, e ela, Eva,  chegando, assoviando, em uníssono com a serpente – sente ? -, coral, o tal “Pecado Original” :

então, à minha frente sorridente, me estendeu um A Máquina de Revelar Destinos Não Cumpridos, e, nuns gemidos, sussurou-me em descaminho : “Vário, vou te cumprir todinho”.

Acordei demonolátrico, precisado de um fraldão geriátrico.

Categoria: Crônica, Diário de Bordo, Farsa, Trânsito
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VERÃO, VEREMOS

Tarifado por Vario em 13 dezembro, 2009

055 em qap e pronto pra cópia

Se se trabalha, a coisa fornalha; se se inventa, o treco esquenta; se se ama, se inflama; se se odeia, se incendeia; se transamos, pululamos; se vivemos, acendemos; se se meta, bolismos; se se bole, m…

Ora durmamos, ora sonhemos, é fogo – nas ventas do parabrisas.

Esperto é o catavento – que vive de aragens.

***************
O Vento- Vário do Andaraí
Chia. É o vento
Estala. É o vento.
Seus sussurros assim :
Curva-te, capim
Alegra-te, Alecrim
Para que esse rei sem chão assim
Do céu, que é dos meninos das pipas
Do mar, que é das paixões infinitas
Sopre enfim boas notícias.
***************
Ficha Técnica
Xande Figueiredo : Bateria
Eduardo Neves : Sax soprano.
Gastão Villeroy : Baixo
Chiquinho : Teclados
Vário do Andaraí : Gogó.

Categoria: Sem categoria
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