SENHORA ROSA
Rosa Passos – Obi Senhora Rosa, De cada cinco passageiros, três perguntam quem é a moça que está cantando : suas pétalas são o forro da minha trincheira. “Uma rosa é uma rosa é uma rosa” e “Stalingrado resiste”. Abço, 055.
Rosa Passos – Obi Senhora Rosa, De cada cinco passageiros, três perguntam quem é a moça que está cantando : suas pétalas são o forro da minha trincheira. “Uma rosa é uma rosa é uma rosa” e “Stalingrado resiste”. Abço, 055.
Bom Tarde ! Pronde ?…Conheço…Leopoldo com Travessa Vasconcelos…Moro ali perto…Hoje tem festa lá…Tem um monte de barraquinha em volta da igreja…A procissão ? A procissão, acho que já saiu, era às 3…Claro que eu sei que é o dia deles…Ora se não sei….Olha aqui…toma…É do Braga…Rubem Braga…Nunca ouviu falar ?…Sério ? Nunca ouviu falar ? [...]
Tom Jobim – Estrada do Sol Então, na subida do vão central, ajudado pelo vento que a boca da baía assopra, meu carro amarelo de ouro decola e marinha – que voar não é luxo, navegar impreciso – na música tátil de um soneto de Carlos Pena Filho ou no ventre dos olhos que seriam [...]
Ella Fitzgerald – Angel Eyes Madrugou garoando esquecimento. Compassadas, as palhetas fazem a dança do acasalamento sobre o pára-brisa e as grotas do céu vão minando alheamento e silêncio úmido sobre a cidade impermeável. Dessedentados, rios, lagoas e mares compelidos nos perdoam mais uma vez bebendo no peito escuro a lavagem dos dias. Madrugou chuviscando [...]
Arlequim Dolente, amigo e freguês de boas corridas, com cujo pseudônimo assina seus escritos, me autorizou a publicação de alguns fragmentos de seu último livro, Poética Genérica. ****** DIVAGAÇÕES SEMIOLÓGICAS SOBRE O “H” Have – Substantivo alado engaiolado pelo erro. Herro – Substantivo geneticamente fadado ao lapso. Hámar – verbo musical que afirma um substantivo [...]
- É lenha, 55, É lenha… saída do Maraca, filhão, no muvucão, é meio-de-pista…meio-de-pista… Ligado, no olho, escolhendo…Na da direita, vagabundo vai entrando na maior…cê sabe…depois que tá dentro, forte abraço…o cara diz que é pra Central, mas chega ali no viaduto dos Marinheiros, puxa o cano, já viu… Tu vai é pra Brasil… de [...]
Recebi um email de um leitor que se identifica como Mistral ( que curiosamente é o nome de um vento ) me dizendo que objetivamente não entendeu nada do meu post anterior, mas faz uma ressalva que me deixou muito contente : “(…) mas, no final, engraçado, parece que a gente entende o que você [...]
Nos últimos 20 dias tenho passado por uns perrengues brabos. Nestas horas, em que a coça é de arame farpado, caio dentro da voragem com a 055, ombro a ombro com ela, como uma falange romana, em que um legionário é responsável pelo que está a seu lado, em formação de honra e glória. Já [...]
Às vezes me dá uns coriscos nas idéias, e eu, quebrando o silêncio da corrida, na emboscada, faço umas enquetes doidas com os passageiros da 055. A desta semana foi “Cê sabe a diferença entre nostalgia e saudade ?”. A maioria, felizmente, não me dá trela, desconversa, finge que está falando ao celular ou se [...]
Fiz o adesivo e colei no pára-choque traseiro da 055 : “Deus escreve certo por linhas tortas. Dêem um caderno de caligrafia para este Menino, pelo amor de Deus !”
Era uma vez um professor de judô, o professor Polegar, ensinando a criançada a lutar. Era uma vez um palhaço, o palhaço Ismael , com registro e licença de tocar seu escarcéu Era uma vez um chaveiro, o chaveiro Cordeiro, destrancando as tranqueiras – quiosque próprio na esquina da Dois de Fevereiro. E ele sempre [...]
Ele é caminhoneiro, mora em Três Rios, pequena cidade serrana a coisa de 100 quilômetros daqui, é casado, tem 2 filhos e me parece ser feliz. Desenrolou um papo com o pessoal de um posto de gasolina na Rodovia Washington Luis, nos limites do Grande Rio, deixou seu caminhão estacionado lá, pegou uma carona com [...]
Strangers in the Night – Wayne Newton Dedicado aos que reencontram no silêncio obscuro da noite a quietude perdida do útero. Noite, minhas pupilas gatunas te decifram, e o teu escuro se me aclara : nestes três anos de praça aprendi o teu idioma velado e teus incontáveis dialetos oblíquos : o dos bêbados, o [...]
MORTE EM VENEZA II Me lembro agora que uns tempos atrás tive com uma passageira – coitada…- uma breve conversa sobre cinema. Ela fazia um monte de considerações tolas, e, no meio do papo, me perguntou se eu tinha visto “Quero ser Jonh Malkovich”. Eu não vi este filme e acho que nem pretendo ver. [...]