BRASIL DE CABO A RABO
Tarifado por Vario em 24 novembro, 2009![]()
Tem um semáforo ali em São Cristóvão que demora uma quase eternidade. Tempo-espaço é relativo, diz o Alberto e bota a língua para os bocós. No cosmos é relativo e sidéreo, mas aqui, ao rés-do-chão, é imperativo e ferrenho : astronauta é astronauta, taxista é taxista. Mas às vezes, o vermelho demora-se para o verde, eu me descuido da sina e desgravito, levito, faço um verso ruim, dou de cabeça na lua e arrumo um galo na testa.
Ontem caí no paradeiro do tal semáforo lá, e imaginei uma máquina do tempo. Uma máquina do tempo…Em quanto tempo eu viria de 2088 aos dias de hoje ? De lá àqui acho que levaria uns dois décimos de segundo. Já do passado, de 22 de abril de 1500, da praia de Porto Seguro ao aqui e agora, gostaria de que ela me trouxesse bem devagar, numa das 13 velhas caravelas rangendo, rangendo a música do vento e dos cordames nos mastros, batendo praia por praia do costão tão atlântico, bebericando nas bibocas, nos quiosques, nas palhoças, dos casebres aos resortes, nas casas das mães joanas, beliscando camarãozinho frito e polpa de mulata, que eu me amarro numa mulata, dormindo salgado, acordando doce, chupando caju, jogando um rachinha à beira-mar, desligando da hora e mandando um postal lá de Alagoas do Sul, Capitania Hereditária de Pernambuco, para a rapaziada da Santa Rosa Boxing Clube ( o Felipe, o Cachorrão, o Adalto, o Marcão, o Acerola, o Sérgio e o Rapa, a rapaziada, cascuda e afável, que de tanta porrada na cabeça fica tudo assim, ó, espia só, tudo sonado e sequelado ) informando que o mundo é redondo, roda ébrio e a gramática é relativa.
Eu gostaria um-vidão, eu levaria um vidão, eu gastaria um vidão viajando no tempo.
E seria outro daquele agora àvante. Pelo menos até o sinal ir para o verde, e uma buzina imediata me estatelar na terra chã da realidade em que se plantando…
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