QUASE TÃO BOM QUANTO O SILÊNCIO
Tarifado por Vario em 04 março, 2010![]()
Depois de muitos dias de calor brabo, de sufoco, de sol insalubre, Polifemo dum olho desarvorado de vermelho e roxo, botando seu terror a dia claro, veio um vento, um alento, uma viração, um carinho fresco do sul, do céu, dos 7 céus, quase um milagre, um sopro de anis e anil sobre a cidade, e a cidade – ah, minha maldita e amada cidade – voltou a ser cidade, lugar de gente, e não um criadouro de insetos.
Desliguem-se os compressores dos ares-condicionados, a vibração contínua dos motores, a patologia de fundo, o zumbido zumbi, e abram-se as janelas para os 9 ventos : lestadas, sudoestes, mistrais, sudestes, bóreas e os mais.
Entra. Vamo dar um rolé. Não ligo o taxímetro. Simbora. Entra…Vamo…
Nas orlas, o ar chega a estar branco de maresia, porque o mar ressacou, zangou, espumou de raiva e serenou. No Alto da Boa Vista, a espaços, vindas das entranhas do verdão escuro da madrugada, tem exalações de damas-da-noite insuflando seu cestrum nocturnum nos pneumos do Bandeira, na gaitinha do Ary.
Bota no volume máximo aí, e vem. É quase tão bom quanto o silêncio.
Na Baixa do Sapateiro ( Ary Barroso ) – Rosa Passos
Produtor: Almir Chediak
Armando Marçal: percussão
Carlos Malta: flautas
Erivelton Silva: bateria
Hamleto Stamato: piano
Idriss Boudrioua: sax alto
Jorge Helder: baixo
Lula Galvão: violão, arranjos
Marco Brito: piano
Rosa Passos: violão, arranjos
Sérgio Galvão: sax soprano
Zé Nogueira: sax soprano
“…frajola”, “pedi a mão não quis dar, fugiu”, “amor, ai, ai, amor bobagem que a gente não explica, ai, ai”, “prova um bocadinho, oi, fica envenenado, oi, e pro resto da vida um tal de sofrer, olará, olerê”.
Entra. Vem. Vamo dar um rolé por uma cidade maravilhosa antes que acabe em fogo – ou em águas salgadas.
março 5th, 2010 at 9:45
Piloto da pena:
que coisa mais linda, mais cheia de graça…
a gente fica assim, meio abobada, mas dá pra centrar um pouco e dizer nas lestadas e sudoestas dessas paradas, at least: parabéns!
e que os ventos soprem essa mensagem como tem que ser: na curva de uma brisa boa.
poesia-potiguar.blogspot.commarço 5th, 2010 at 10:15
UAUUUUUU….. Adorei.
E como diria um grande poeta amigo meu:
“Chia. É o vento
Estala. É o vento……….
…
Sempre enfim boas notícias”.
Bjs
março 5th, 2010 at 12:12
Carinho do sul é? gostei.
graziana.blogspot.comAdorei a voz da Rosa Passos, maravilhosa.
E teu texto, como sempre, sempre muito bom..
E o RJ realmente é uma maldita amada cidade!
março 5th, 2010 at 12:30
Oi, Sumida.
É como eu disse num post anterior aí em algum lugar aqui na viatura : é trapaça. Quem faz o serviço é a música. Dá pra resistir a uma música dessas, cantada por uma Rosa dessas, com uma Banda, com B grande desses ?
“Pelo resto da vida é um tão de sofrer, olará, olerê”
Abço.
março 5th, 2010 at 12:33
Oi, DB !!!
Vou repetir o que respondi à Goimar :
é trapaça. Quem faz o serviço é a música. Dá pra resistir a uma música dessas, cantada por uma Rosa dessas, com uma Banda, com B grande desses ?
“Pelo resto da vida é um tão de sofrer, olará, olerê”
Abço.
Este mês acho que tô por aí, lançando a Máquina !
março 5th, 2010 at 12:34
Oi, Graziana !
A Rosa e o grupo são um buquê pros ouvidos e pro resto do corpo, né ?
É, maldita e amada cidade.
março 7th, 2010 at 0:27
olá!
ontem mesmo falava com um sobre o que deve rolar de histórias trabalhar num taxi. tá aqui você que não me deixa mentir! prazer conhecer. um dia vc pega um poeta alienígena e conta aí a viagem que vai ser.
há braços e que a força esteja com vc!
odiadpois.blogspot.commarço 7th, 2010 at 3:03
Seja bem-vindo, Louis
Obrigado e abço.
Apareço lá, no diadpois, logo, logo, assim que.
março 10th, 2010 at 0:40
Por favor. Avise quando vier.
Aguardo com a mesma ansiedade com que antigamente se aguardava a banda passar (não que eu seja de tão antigamente) ..rsss.
Venha logo.
Bjs
março 10th, 2010 at 4:19
È craru, Creide !
Eu sou do tempo da bandar passar antigamente.
Abço.