CANTO 55 – UMA FOTOGRAFIA
Tarifado por Vario em 17 maio, 2010![]()
Um dia, depois de muito penar, de muito mourejar, canto uma guisa que preste, talvez para Heloísa talvez para Celeste.
Quem sabe uma elegia para Sofia ou uma nênia para Efigênia ?
Vou, matuto, meto a broca na cachola, e jorra um soneto para Carola.
Boquejo épico, assimétrico, mas contido, bem medido : uma pavana para Eliana, uma cantata para Renata.
Um réquiem para alguém, prum amor natimorto, torto, desprezado, enjeitado, filho largado no meio-fio, no frio, no fundo do mundo.
Então eu mundo, confundo e assovio…
…Este canto sandio, bandida, quer se chame Rosicler, quer se chame Margarida, querida, este canto 55, de timbre sintético, sem vinco, mimético, um número, um ninguém, meu bem, um nada, mais um, além, além do mais, mais um, um baldio, na madrugada, a despistar, com elegância, a errância de um defunto sadio.
Então eu assunto e assovio e espalho o meu tresvario : à espera dessa hora, Aurora, desse dia, Musa erradia, ouço, convicto, a sua fotografia.
Fotografia ( Tom Jobim ) – Gal Costa
Ps. Parceirinha e Parceirinho, é pra ouvir a plenos pulmões !!!!!!!
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