SOBRE AS PONTES
Tarifado por Vario em 28 julho, 2009![]()
Uma cliente da cooperativa que acabou se tornando, pelas repetições das corridas, uma amiga de boas conversas me perguntou outro dia, enquanto íamos para Niterói, qual era o diminutivo de ponte. Matutei, vasculhei, bati na testa, chacoalhei a cachola e nada…Desisto.
“Pontilhão. O diminutivo de ponte é pontilhão”
Ora, vejam só, então aquele pontilhão de trens entre os ingazeiros, em Minas Gerais, sobre o rio Novo da minha infância, feito de um minério mais férreo que o tempo, como se fora de matéria que não se corrompe, de aço-ósseo, sempiterno, afrontando os tempos dos dias e das noites, os tempos dos sóis e das chuvas, alheio à erosão, na verdade é um diminutivo em “ão” ?
Mas, pelo tamanho grande que as coisas têm para gente quando a gente é pequena e pelo grande tamanho terno que as mesmas coisas têm na recordaçao da gente quando a gente ainda tenta ser grande, tudo faz de repente um fulgurante sentido.
Eu calei. Algo calou. Alguma coisa muito confusa fundia-se como metal líquido dentro de mim : o gosto da polpa branca do ingá, o ferruginoso áspero das chapas grossas e dos rebites eternos, o cheiro de boi e bosta, de mato e chuva, de café e pão-chaleira, e o sino da igreja da praça dobrando para anunciar uma morte.
Estávamos agora nos vãos : nós, dentro da viatura, sobre o vão central da ponte concreta, física, caminhando o mar com seus pilares, juntando duas cidades, a 40 metros da flor d´água da Baía de Guanabara parda e oleosa lá embaixo, e eu sobre um vão memorial, fora do tempo, ligando duas margens da minha vida, entre as quais passa um caudal turvo, e sobre o qual, a 5 metros das águas barrosas, me preparo para o salto.
E salto.
Obrigado, minha amiga e passageira, pelo frio na barriga de 3 segundos de queda entre o seu diminutivo pontilhão e aquelas águas em que agora mergulho.
Nada Será Como Antes ( Milton Nascimento e Fernando Brant ) – Milton Nascimento
julho 28th, 2009 at 10:59
Com o pontilhão que você descreve… Só resta mesmo a gente querer se jogar.
Lindo!
poesia-potiguar.blogspot.comjulho 28th, 2009 at 14:23
vai ver que esse diminutivo foi inspirado na idéia de que ponte nunca é algo pequena
o espaço que separa onde estamos de onde queremos ir só é curta no universo virtual
-música muito linda, triste demais
‘hoje não passa de um vaso quebrado no peito’
houve época em que ela me ajudou
hoje não sei não, ainda tô no pontilhão
julho 28th, 2009 at 14:25
corrigindo a concordância de gêneros do texto
ato falho
vai ver que esse diminutivo foi inspirado na idéia de que ponte nunca é algo pequeno
o espaço que separa onde estamos de onde queremos ir só é curto no universo virtual
-música muito linda, triste demais
‘hoje não passa de um vaso quebrado no peito’
houve época em que ela me ajudou
hoje não sei não, ainda tô no pontilhão.
julho 28th, 2009 at 14:51
Embaixo do pontilhão as flores brancas do lírio do vale tinham um perfume tão bom… Aí eu suspiro forte como querendo guardar dentro de mim. Enquanto atravesso por ele, olho as águas que correm pela areia grossa… Procuro as continhas de Lágrima de Nossa Senhora, para fazer um colar. Era bom passar pelas madeiras roliças, que por vezes se soltavam. O frio na barriga vinha com o galope sobre ele… Ô barulho bom… Só num vale impareiá!
Valeu o passeio do passado tão presente… Muito bom!
julho 28th, 2009 at 15:00
Mas olha Campeão… impareiá até que pode… só não pode refugá!
julho 28th, 2009 at 16:35
Oi, Anna
A 055 vai onde o passageiro pede.
Um abço
julho 28th, 2009 at 16:37
Oi, Anna
O comentário ficou melhor que o post…rs…tá querendo esculachar o 055 ?
Brigado pela frequência.
Um abço
julho 28th, 2009 at 16:49
Oi, Carolina
Sim, linda música, do antológico albúm Minas, um marco na música popular, eu acho.
As pontes, há-as de todas os tamanhos. O importante é que sejam grandes.
Um abço
julho 28th, 2009 at 16:52
Oi, Goimar.
Obrigado pela frequência sempre tão aguardada pela viatura, pois que a corrida é boa. A generosidade dos seus comentários paga qualquer bandeirada.
Um abço
julho 28th, 2009 at 17:12
Que sejam grandes??? então discordamos hehehe
agosto 5th, 2009 at 1:33
Que be-le-za, Poeta !
Parabéns
agosto 5th, 2009 at 2:07
Novamente : pena que a música não tá funcionando. È a cara de Minas.
Um abço
Volte sempre a toda hora.
agosto 6th, 2009 at 7:26
A VIDA é o atravessar dessa ponte.
Até ouço o vento… : P
Dedé, teu presente é o momento da travessia.
Seja bem-vindo ao outro lado!
Beijoca!
Ps.: Belíssimo “poema-ponte.”
agosto 6th, 2009 at 13:47
Oi, Ana !
Obrigado mesmo do fundo do meu coração raso !
Um abraçaço
outubro 1st, 2009 at 0:41
SENSACIONAL !!!
outubro 1st, 2009 at 2:16
Valeu, X da Vila !
Abço