BÍBLICAS II
Tarifado por Vario em 28 agosto, 2009![]()
Está lá em Mateus ( 15, 10-11) : “Audite et intellegite: non quod intrat in os, coinquinat hominem; sed quod procedit ex ore, hoc coinquinat hominem!“, o que quer dizer : “Ouvi e entendei : não é o que entra pela boca que contamina o homem; mas o que sai da boca, isso é o que o contamina”
A Bíblia tem cabalas, sentidos ocultos. Ora se tem !
Rio 40 graus, de dia ferve, de noite verve, é rescaldo, e tome pecado, e tome cuidado, que o passageiro pode não ser bandido, mas pode ser um ardido. Aí, parceirinha, parceirinho, é o que será sabido :
A exalação sentou-se a meu lado, no banco do carona, botou o cinto, virou-se pra mim e “Bangu”. No que ele acabou de falar – poeta de rua que sou -, me inspirou o lampejo de uma rima pobre.
Parceirinha, parceirinho, não é exagero, não é mentira, não é figura de retórica, hipérbole. Era fato, era um flato, algo de podre no reino da Guanabara. Dragão ou Leviatão ? “Segura na mão de Deus”. Aí, tigrada, como fedia…Não era mau hálito, porque “mau” é adjetivo, é pessoal, circunscrito à criatura, ao ser, ao entendimento. O que sua parla revelava era algo metafísico : o mal.
Eu ia com o ar-condicionado ligado, o carro era uma câmara. Cada vez que ele falava, eu arrumava um jeito de olhar para o lado esquerdo, a pretexto, prendia a respiração e mergulhava fundo, na apnéia, sem poder tomar fôlego, sem hiperventilar, que é o termo técnico.
Por que não me vem um mocho ? Não…O Ernesto era um Proust de parágrafos para contar suas histórias de pescador de mulher. Valha-me, São Escafandro ! Eu voltava roxo à tona dos miasmas.
Na avenida Brasil, larga, três pistas, sem trânsito – é hora ! -, abri os vidros elétricos geral, e, bilaquiano num cabriolé, recitei uma parelha : “Amada, amada noite, / como é doce o seu açoite…”. Parceirinha, parceirinho, isto declamado dentro do fog de enxofre e butano da Brasil, na altura de Manguinhos !!!
Vário, sois artistas !!!
E, vai e volta, eu botava a cabeça para fora da janela, “linda lua !”, mas cadê ? Lua ? Lua já não há, a poesia morreu, mas a bafagem continua…
Finalmente em Bangu, perto já da casa do curtumano, numa ruazinha apertada, um caminhão caçamba de lixo no anda-pára ! Deve estar na Bíblia ! Nem sei se era da Comlurb ou de coleta especial ou sei lá o quê. Sei é que fedia fora, fedia dentro, o mundo fedia, e eu no mundo : soltei uns peidos também. Fazer o quê ? Apanhar calado ? Tome…Azedo…
- Cheiro estranho, né ?
- É…
agosto 28th, 2009 at 21:25
Fazer o quê ? Apanhar calado ?
Muito booooommmmm.
agosto 28th, 2009 at 21:38
Não dá, né, parceirinho ? rsssss
È um toma-lá, dá-cá…rsss
Brigadão pela corrida.
Um abço
agosto 29th, 2009 at 22:36
Ahaha só risada aqui!
Passageiro baforento faz parte do que chamam de “ossos do ofício” não ?! Mas num caso tão extremo de insalubridade no ambiente de trabalho é de se consultar um advogado, sabe lá quais indenizações podem se aplicar neste mérito nasal.
Abratzo!
agosto 29th, 2009 at 23:04
É pedreira, Bechs !
Eu tenho outra inacreditável do mesmo mérito. Posto em breve.
Abrarzo !
agosto 31st, 2009 at 17:49
Parabéns poeta.
Muito boa.
agosto 31st, 2009 at 18:04
Aì, Xerife
Aqui nesta esculhambada viatura você manda !!!!!
Vamos ou não vamos tomar geladas ?
Sua visita e comentário foi uma “sastisfação” !
Abção
agosto 31st, 2009 at 18:14
Vamos sim.
É só você “utilizar” um pouquinho do seu precioso tempo.
Pode ser amanhã.
Abraço
agosto 31st, 2009 at 21:00
É impressionante como tudo acontece no 055!!! Quando for ao Rio vou procurá-lo!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
agosto 31st, 2009 at 21:20
“utilizar” ???????
este é um verbo bíblico !!!!!!!!!!!!
Valeu, maluco. A gente marca essa cerva pra celebrar o desdobramanento favorável das coisas.
Abção, parceirinho…rs
agosto 31st, 2009 at 21:25
Oi, Vivi !
Obrigado pelo retorno a 055 e a mais uma corrida.
Se vier, pode procurar, sim; e sem susto, porque, como eu disse no Post Corrida Inaugural, que foi o que botou o carro na pista virtual, o taxímetro é sem raposias e sem trampolinadas.
Muito obrigado mesmo.
Abço